Monday, June 27, 2011

A caminho do Cabo Espichel

As fotos já são relativamente antigas, porque por razões diversas não tenho documentado as viagens que já fiz com esta bicicleta. Mas é verdade, o Cabo Espichel tem sido destino de eleição por uma série de razões - nomeadamente por valer a pena ir até lá a pedalar. Porque vale pelo caminho e não só pelo destino, o que é sempre positivo.
Estes passeios - os mais longos que tenho dado com esta bicicleta - têm sido muito bons. O único contra (principalmente em dias de muito calor, como ontem) é que a T-shirt fica invariavelmente ensopada nas costas, mas é mesmo o único contra. O facto de ser duríssima nas subidas mais íngremes (como o Frederico aqui comentou) é apenas um precalço, nem chega a ser um contratempo. Em subidas piores desmonto e empurro - e acreditem, o orgulho não sai ferido da experiência. Até porque tudo o resto mais do que compensa, desde o conforto (não tem nada a ver com qualquer outra bicicleta em que tenha andado) até à performance "média" - que é muito boa - apesar de o "motor" ainda estar enferrujado...
Já fiz cerca de 4 saídas com esta bicicleta, entre os trintas e os quarentas e poucos quilómetros cada, e cada vez mais me parece que as características que identifiquei originalmente se confirmam: o equilíbrio em baixas velocidades é complicado (cada vez menos, felizmente, à medida que vou "praticando" a gestão do centro de gravidade vai-se tornando mais simples), o que complica bastante as subidas mais íngremes que implicam sempre o recurso a mudanças baixas e a velocidades também elas mais baixas, dado que o "motor" ainda falha bastante... O conforto é seguramente o ponto a destacar, é absolutamente fora-de-série, e neste ponto esta incomparavelmente superior a qualquer outra bicicleta que já me tenha passado pelas mãos. A performance, com a tal excepção das subidas, é mesmo muito boa, acima de tudo por causa da aerodinâmica - a todos os amigos de duas rodas que ultrapassei ontem, não fiquem a pensar que sou um craque, na realidade a aerodinâmica é que faz a diferença - ainda mais com o vento que esteve. A manobrabilidade é muito aceitável, inclusivamente tenho feito algumas pequenas incursões fora de estrada em percursos simples, e o que hei-de dizer: não vai tão depressa, vai mais devagar, o que interessa é que vai na mesma. Vai indo, pronto.
Alguns pontos curiosos: a distribuição de peso. A distribuição de peso (f/t) não é nem 50/50 nem será seguramente 60/40; se for, andará na ordem dos 30/70 - e digo "andará" porque na realidade ainda não tive como medir este parâmetro. Mas conduz a comportamentos interessantes: a roda traseira é muito mais determinante no processo de travagem, principalmente em piso de terra, e a roda dianteira acaba por ter um comportamento que ainda não consigo descrever de todo. A roda dianteira bloqueia com alguma facilidade (comparativamente), obrigando a alguma atenção à repartição da carga na travagem, mas é muitíssimo controlável - não ganha "vida própria" tão facilmente como numa bicicleta normal.
De resto... ficam aqui as fotos. O objectivo é começar a fazer saídas cada vez maiores, à medida que as pernas forem dando para os quilómetros.







3 comments:

paulofski said...

Estou fascinado com esta tua shoper (se assim a poderei apelidar). A posição de pedalada é fantástica, gostaria de experimentar. Arrisco-me a sugerir pedalar de peitóléu, é que para além de se evitar suar a camisola, com um bom protector, um gajo pedala e trabalha para o bronze!

Bessa said...

Uma recumbent portuguesa! Não há duvida que o universo ciclista português está em franca expansão. Essa bicicleta deve ser realmente muito confortável. Eu teria receio por causa de visibilidade menor (dos outros) mas imagino que há formas de lidar com isso.

Boas pedaladas!

Niagara said...

Paulofski, um gajo arrisca mesmo uma queimadura solar nisto sem camisola!
Bessa, esta não é a primeira (só eu já vou na terceira). Mas é só porque vale mesmo a pena!